A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, nesta sexta-feira (3), uma resolução que libera, em caráter emergencial, a fabricação de álcool etílico injetável utilizado como antídoto em casos de intoxicação por metanol.
A medida ocorre em meio ao avanço das notificações: o país já registra 113 casos suspeitos, sendo 11 confirmados até agora.
Segundo a Anvisa, a Resolução nº 994/25 estabelece procedimentos temporários e extraordinários para ampliar a disponibilidade do medicamento.
O álcool etílico absoluto, em forma farmacêutica injetável, é o tratamento indicado para intoxicações graves causadas pelo consumo de bebidas adulteradas com metanol.
Produção terá regras específicas
O órgão informou que a autorização será válida por 120 dias, podendo ser prorrogada. As empresas aptas a produzir o medicamento devem estar instaladas no Brasil, possuir Certificado de Boas Práticas de Fabricação e Controle (CBPF) vigente e atender às normas para a produção de soluções estéreis de pequeno volume.
Além disso, os medicamentos autorizados serão regularizados sob regime de notificação, o que significa que não precisarão de registro prévio na Anvisa. A fabricação só poderá começar após a publicação da resolução no Diário Oficial da União (DOU).
Casos de intoxicação se espalham pelo país
Até o momento, São Paulo concentra todos os 11 casos confirmados de intoxicação por metanol. No entanto, a suspeita da contaminação já chegou a outros estados. Além de Pernambuco e Distrito Federal, Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul notificaram ocorrências em investigação.
O Ministério da Saúde informou que acompanha a situação em conjunto com autoridades sanitárias estaduais e municipais, reforçando o alerta sobre os riscos de consumo de bebidas de origem desconhecida ou adulteradas.
Risco do metanol em bebidas
O metanol é uma substância altamente tóxica, que, quando ingerido, pode causar sintomas como dor abdominal, náusea, perda de visão e, em casos graves, levar à morte.
Autoridades de saúde destacam que o consumo de bebidas sem procedência conhecida é o principal fator de risco.
Nos últimos dias, operações de fiscalização interditaram estabelecimentos e apreenderam bebidas suspeitas de adulteração. O governo federal também acionou órgãos internacionais para ampliar o acesso ao antídoto diante do aumento das ocorrências no Brasil.