ASSISTÊNCIA SOCIAL

Justiça determina que Prefeitura de Boa Vista monitore população em situação de rua

Tribunal de Justiça confirma obrigação da prefeitura de monitorar população vulnerável. Decisão estabelece prazo de 180 dias e multa de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
Redação Portal Norte
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A prefeitura de Boa Vista foi sentenciada pelo Ministério Público de Roraima (MP-RR) para a criar e implementar um programa para monitorar população em situação de rua. O prazo para o cumprimento da medida é de 180 dias.

Caso a prefeitura não acate a decisão, poderá receber multa diária de R$ 5 mil.

O programa teria o objetivo de realizar levantamentos trimestrais sobre a população em situação de rua em Boa Vista. A medida busca estruturar ações mais efetivas na área assistência social.

A decisão é originada de uma Ação Civil Pública movida pela Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania em setembro de 2018.

Em abril de 2019, a Justiça reconheceu o dever do município em proteger direitos fundamentais e determinou a criação do programa. No entanto, a Prefeitura recorreu, mas a Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Roraima rejeitou o recurso em outubro deste ano, confirmando a obrigação.

Fluxo migratório sobrecarrega os serviços públicos em Boa Vista

O promotor de Justiça Adriano Ávila destacou que o monitoramento se tornou ainda mais crucial diante do impacto causado pelo fluxo migratório oriundo da crise econômica e humanitária na Venezuela.

“Esse acréscimo na população local sobrecarregou os serviços públicos e elevou significativamente o número de pessoas vivendo nas ruas”, disse Ávila.

Desde 2015, o intenso fluxo migratório já sinalizava um aumento previsível na demanda social, segundo o MP-RR.

O promotor afirma que alertou que a ausência de planejamento adequado pode resultar na falta de serviços públicos básicos, violando os direitos fundamentais dessa população.

“A relevância do monitoramento está em fornecer informações precisas para que o município desenvolva políticas e programas de assistência que atendam às necessidades dessa população vulnerável”, ressaltou o promotor.

Por fim, a sentença reforça a necessidade de medidas estruturadas e planejadas para mitigar os efeitos da crise migratória e assegurar os direitos da população em situação de rua, garantindo uma resposta eficiente às demandas sociais emergentes.