A recém-empossada vereadora paulistana Amanda Vettorazzo (União Brasil) apresentou um projeto de lei que visa proibir a prefeitura de São Paulo de contratar artistas que façam apologia ao crime organizado ou ao uso de drogas e citou o rapper Oruam como exemplo.
A parlamentar, que integra o Movimento Brasil Livre (MBL), declarou que a proposta tem como principal alvo o rapper carioca.
Amanda Vettorazzo exibiu capturas de tela de publicações feitas pelo rapper em que ele convoca seus seguidores, apelidados de “tropa do 22”, a se posicionarem contra ela.





A expressão “tropa do 22” remete ao artigo 22 do Código Penal de 1940, que trata da inimputabilidade de pessoas com transtornos mentais, mas também é usada como gíria para chamar alguém de “maluco”.
Boletim de ocorrência e escolta policial
Após as publicações do rapper, Amanda registrou um boletim de ocorrência contra Oruam por suposta ameaça, injúria e difamação. Segundo a vereadora, o cantor teria incentivado seus fãs a atacarem seu perfil nas redes sociais após a apresentação do projeto de lei.
Diante das circunstâncias, a Câmara Municipal de São Paulo disponibilizou seguranças para a vereadora. Amanda aceitou a escolta, que será realizada por guardas civis que atuam na Casa Legislativa.
Resposta de Oruam
Oruam respondeu às acusações por meio de um vídeo nas redes sociais. Ele criticou a vereadora, chamando-a de “bobona”, “idiota” e “doente mental”.
“Tu quer ficar nessa daí? Vai proibir o c*ralho, pô. Tu nem tem força para isso. Bobona. Eu nunca vi uma pessoa estudar para falar merda. Só tu não falar meu nome, senão tu vai conhecer o capeta”, disse Oruam.
O artista defendeu suas composições, afirmando que canta sobre a realidade que vive. Ele ainda argumentou que artistas de classes mais privilegiadas não enfrentam as mesmas críticas ao retratar temas semelhantes.
O projeto de lei segue em tramitação e tem gerado debate sobre os limites da liberdade artística e a responsabilidade social de figuras públicas.
Quem é Oruam?
Oruam é um dos principais nomes do trap nacional, gênero derivado do rap. O cantor é filho de Marcinho VP, traficante condenado a mais de 50 anos de prisão, e sobrinho de Elias Maluco, responsável pelo assassinato do jornalista Tim Lopes em 2002.
O artista, de 23 anos, ostenta tatuagens com os rostos do pai e do tio, reforçando suas conexões familiares.