ECONOMIA

Alta dos alimentos: Lula pede para brasileiros não comprarem itens caros

Presidente sugere que consumidores evitem produtos caros para pressionar queda de preços, mas proposta gera críticas da oposição nas redes sociais.
Redação Portal Norte
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sugeriu, nesta quinta-feira (6) que os brasileiros evitem comprar produtos que estejam muito caros para enfrentar a alta de preços dos alimentos.

“Se todo mundo tivesse a consciência e não comprar aquilo que está caro, quem está vendendo vai ter que baixar para vender, senão vai estragar. Isso é da sabedoria do ser humano. Esse é um processo educacional que nós vamos ter que fazer com o povo brasileiro”, destacou o presidente em entrevista às rádios Metrópole e Sociedade, da Bahia.

O presidente ainda incentivou os consumidores a substituírem itens mais caros por produtos similares, com preços mais acessíveis.

“Tenho dito que uma das pessoas mais importantes para a gente controlar os preços é o próprio povo. Se você vai num mercado aí em Salvador e você desconfia que tal produto está caro, você não compra”, acrescentou.

Ainda durante a entrevista, Lula afirmou que a inflação será solucionada em breve e destacou que o governo está trabalhando para encontrar soluções.

Reações

A sugestão do presidente tem gerado polêmica nas redes sociais, além de críticas da oposição.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou a fala do chefe do Executivo em publicação do X: “plano de governo: substitua o alimento ou compre outro dia”.

O senador Sergio Moro (União-PR), ex-ministro da Justiça da gestão de Jair Bolsonaro (PL), comparou o pedido de Lula para que a populações evite gastar com a atitude dele em relação aos próprios gastos.

“Para Lula, a população, para combater a inflação, não deve comprar o produto se estiver caro. Já quando os gastos são do Lula, o céu é o limite”, escreveu o senador na rede social X.

O deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura de Bolsonaro, questionou a compra de tapetes para os palácios do Planalto e da Alvorada que tiveram um custo de R$ 71,3 mil, segundo o edital de licitação.

“Comida barata para você, tapete de cem mil reais para mim. A democracinha linda demais!”, ironizou.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, também comentou a declaração de Lula.

“Se o arroz está caro, é só não comer. Se o gás está caro, é só não cozinhar. Se a gasolina está cara, é só ficar em casa. Nada de cortar gastos nos ministérios, colocar pessoas competentes nas estatais ou gerenciar melhor a economia. Para o governo, basta que os brasileiros parem de comer, beber e se deslocar que os preços caem”.

Entenda cronologia da crise:

O ano de 2025 começou com uma elevação da inflação, puxada por setores como os combustíveis e os alimentos.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2024 em 4,8%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo a Copom, a alta dos alimentos foi motivada por fatores como a estiagem do ano passado e a elevação de preços de carnes, também afetada pelo ciclo do boi.

Desde então, o governo federal tem realizado reuniões para discutir o tema e definir medidas para conter a crise dos alimentos.

O governo federal afirmou que não vai adotar nenhuma medida “heterodoxa” para conter a alta no preço dos alimentos.

Na primeira reunião ministerial do ano no Palácio do Planalto, Lula declarou que baratear o preço dos alimentos que chegam à mesa do trabalhador é a prioridade do governo em 2025.