MANAUS

Jander Lobato comenta cancelamento do concurso da CMM e novo edital

Vereador Jander Lobato defende cancelamento do concurso da Câmara Municipal após irregularidades apontadas pelo Ministério Público e anuncia discussão sobre novo edital.
Redação Portal Norte
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Em entrevista à TV Norte Amazonas nesta terça-feira (19), o vereador e vice-presidente da Câmara Municipal de Manaus, Jander Lobato (PSD), comentou sobre o cancelamento do concurso do orgão.

“Participamos de uma reunião no Ministério Público a respeito da situação que levou ao cancelamento. O promotor deixou claro que foi o Ministério Público que pediu isso. Não somos contra os 82 aprovados — somos a favor dos 22 mil que participaram do concurso. Pessoas que vieram de outros estados, que se prepararam o ano todo, se deparam com uma situação de fraude no concurso, constatada pelo Ministério Público, não pela Câmara”, declarou.

O vereador destacou que a medida não visa prejudicar os candidatos aprovados, mas garantir justiça a todos os participantes.

Para ele, a prioridade é assegurar que um novo processo seja realizado sem questionamentos sobre sua lisura.

Jander Lobato adiantou ainda que a CMM já discute alternativas para a realização de um novo concurso público, visto que o certame anterior não será reaproveitado, a não ser que a Justiça decida de forma contrária.

Irregularidades no concurso da CMM

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) recomendou a anulação total dos três editais do concurso público realizado em setembro de 2024, em razão de diversas falhas que colocaram em risco sua lisura e comprometeram a segurança jurídica do certame.

As principais irregularidades apontadas incluem:

  • Violação dos malotes de prova, comprometendo a integridade dos exames;
  • Arredondamento de notas sem previsão em edital;
  • Ausência de cotas raciais nos editais;
  • Contratação irregular da banca examinadora, Instituto Acesso;
  • Mais de 50 denúncias e processos judiciais em curso;
  • Suspeita de favorecimento em razão de parentesco entre candidato e procurador legislativo.

A decisão de anular o certame foi tomada por consenso entre os vereadores e a procuradoria da CMM, acatando a recomendação do MP-AM.

Sindicância interna e ação da Defensoria Pública

Apesar da recomendação do MP, a sindicância interna da Câmara concluiu, de forma unânime, que não houve fraude ou favorecimento no certame.

Em paralelo, a Defensoria Pública do Amazonas instaurou procedimento para avaliar se a anulação respeita os princípios constitucionais, como segurança jurídica e proporcionalidade, ameaçados pela medida.

O MP-AM exigiu que a nova seleção contemple:

  • Inclusão de cotas raciais e para pessoas com deficiência (PCD);
  • Escolha de banca organizadora diferente;
  • Formação de nova comissão organizadora em até 90 dias;
  • Publicação do novo edital até 15 de setembro de 2025.

Além disso, o Tribunal de Justiça do Amazonas suspendeu temporariamente a comissão do novo concurso, até que seja judicialmente definido se o edital anterior pode ou não ser aproveitado
Gran Cursos Online