POLÍTICA

Governo tenta ganhar tempo e evitar derrota na indicação de Jorge Messias ao STF

Planalto atrasa envio de mensagem oficial ao Senado para adiar sabatina de Jorge Messias, enquanto Davi Alcolumbre pressiona pela votação em dezembro.
Redação Portal Norte
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O governo federal tem trabalhado nos bastidores para adiar o início formal do processo de análise da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia consiste em atrasar o envio da mensagem oficial da Presidência ao Senado — documento que abre oficialmente o rito de sabatina e votação.

A leitura da indicação está prevista para quarta-feira (3), mas sem o documento, o calendário definido pela cúpula do Senado pode ser empurrado para frente.

Tensão entre Planalto e Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pressiona para manter a sabatina no dia 10 de dezembro, mesmo com a resistência do governo. O senador defendia a indicação de Rodrigo Pacheco para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso e vê Messias como um recuo do Executivo.

A manobra do Planalto tenta evitar uma votação em ambiente hostil, que poderia resultar em rejeição do nome escolhido pelo presidente Lula.

Mensagem ainda em elaboração

A elaboração da mensagem oficial, que reúne currículo, declarações e histórico profissional do indicado, ainda está em andamento na Casa Civil. Interlocutores lembram que, na indicação de Cristiano Zanin, o envio ao Senado demorou 12 dias, argumento usado para justificar o atraso atual.

Sem esse documento, o Senado não pode abrir oficialmente o processo, mesmo com a publicação da indicação no Diário Oficial da União.

Cenário jurídico enfraquece pressão do Senado

Especialistas apontam que usar apenas a publicação no Diário Oficial como base para avançar com a sabatina não é suficiente. A mensagem presidencial é considerada uma etapa obrigatória e formal, prevista no Regimento Interno do Senado. Sem ela, Alcolumbre teria de esperar o Planalto.

Lula quer entregar documento pessoalmente

O presidente Lula pretende se reunir com Alcolumbre nos próximos dias para entregar a mensagem em mãos e tentar restabelecer o diálogo. Assessores afirmam que o chefe do Executivo busca reduzir tensões e entender quais são as demandas do presidente do Senado.

Crise política aumenta pressão sobre Messias

A disputa pelo comando do processo expôs o desgaste entre governo e Congresso. Desde a indicação de Messias, Alcolumbre elevou o tom, articulou votações que pressionaram o Planalto e acelerou a agenda do Senado.

O temor do governo é que o clima de confronto diminua o apoio a Messias, que precisa de maioria simples na Comissão de Constituição e Justiça e de ao menos 41 votos no plenário.

Como será o trâmite até a votação

Após o envio da mensagem, o documento seguirá para a CCJ. O relator, senador Weverton Rocha (PDT-MA), já sinalizou que trabalhará pela aprovação de Messias. A leitura da mensagem deve ocorrer antes da sabatina, seguida de vista coletiva.

A sabatina está prevista para 10 de dezembro — caso o governo não consiga adiar. Depois disso, o nome segue para votação secreta no colegiado e, em seguida, para o plenário do Senado.

Se aprovado, Lula publica o decreto de nomeação e o STF agenda a posse do novo ministro.