JUSTIÇA

Bolsonaro pede ao STF autorização para reduzir pena por meio da leitura; veja opções

Ex-presidente solicita ao STF autorização para participar de programa que reduz pena mediante leitura de obras literárias. Mecanismo permite abatimento de até 48 dias por ano na condenação.
Redação Portal Norte
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O ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para aderir ao programa de remição de pena pela leitura, mecanismo previsto no sistema prisional brasileiro que permite a redução do tempo de prisão mediante a leitura e avaliação de obras literárias.

O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator da execução das penas relacionadas à tentativa de golpe.

Condenação e pedido ainda em análise

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por participação na trama golpista. A solicitação para participar do programa ainda será analisada por Moraes, que já autorizou, em dezembro, outro condenado do mesmo processo a trabalhar, estudar e ler livros para fins de remição.

Como funciona a remição de pena pela leitura

A remição pela leitura é regulamentada por resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O modelo permite que o preso leia até 12 livros por ano, com a redução de quatro dias de pena por obra, desde que apresente uma resenha avaliada pela unidade prisional. O abatimento anual pode chegar a 48 dias.

Além da leitura, a legislação também prevê redução de pena por estudo e trabalho, desde que haja autorização judicial específica para cada caso.

Lista de livros permitidos no Distrito Federal

No Distrito Federal, o sistema penitenciário adota uma lista própria de títulos habilitados para a remição. Entre as obras disponíveis estão:

  • “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva, livro biográfico adaptado para o cinema e vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025;
  • “Democracia”, de Philip Bunting, obra ilustrada que aborda conceitos de cidadania, política e participação social;
  • “Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski, clássico da literatura russa que discute culpa, moral e consequências dos atos humanos.

Benefícios vão além da redução da pena

Além de diminuir o tempo total da condenação, a participação em atividades de leitura, trabalho ou estudo pode acelerar a progressão de regime e a concessão de benefícios legais, como o acesso ao regime semiaberto e à liberdade condicional, conforme previsto na Lei de Execuções Penais.

Outros condenados também podem aderir

O pedido feito pela defesa de Bolsonaro abre caminho para que outros condenados no mesmo processo também solicitem a participação no programa. Em todos os casos, a autorização depende de decisão individual do STF, sob relatoria de Alexandre de Moraes.

A análise do pedido ainda não tem data para ser concluída.