RORAIMA

Gás de cozinha em Boa Vista é o mais caro do país; polícia investiga cartel

Polícia Civil investiga esquema de fixação de preços do gás de cozinha que teria sido coordenado por grupo no WhatsApp, envolvendo servidores públicos municipais.
Redação Portal Norte
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Conforme dados divulgados em janeiro deste ano, ela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Boa Vista, em Roraima, é a capital onde o preço gás de cozinha é o mais caro do país. O valor médio na capital é de R$136,90.

Na última quarta-feira (12), a Polícia Civil realizou a Operação Fogo Azul que investiga a formação de um cartel no preço do gás de cozinha na capital.

A PC cumpriu três mandados de busca e apreensão em uma residência e na sede da Associação de Revendedores de Gás de Cozinha do Estado de Roraima (ASSERG). Os alvos incluem o secretário da entidade, de 33 anos, um empresário de 43 e sua esposa, de 42, donos de seis revendas na cidade.

De acordo com as investigações, o casal de empresários ocupa cargos públicos na Prefeitura de Boa Vista, violando o Estatuto do Servidor Público Municipal, que proíbe a gestão simultânea de empresas privadas. A suspeita é de que, por meio da ASSERG, os envolvidos teriam fixado o preço do botijão de 13 kg em R$ 139,90 por cerca de 30 dias, eliminando a concorrência.

Operação em Boa Vista. – Foto Reprodução.

Como funcionava o esquema

O cartel teria começado em setembro de 2024, coincidindo com a fundação da ASSERG. Segundo denúncia de um revendedor, o alinhamento de preços ficava coordenada em um grupo no WhatsApp, onde empresários acabavam coagidos a aderir ao valor único.

Além disso, quem se recusasse sofria ameaças, como a de “colocar uma mangueira na boca” para quebrar economicamente, conforme relatou o delegado Rodrigo Gomides, da Delegacia de Defesa do Consumidor (DDCON).

As buscas ocorreram nos bairros Asa Branca, Equatorial e Cidade Satélite (Zona Oeste), com apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE), Delegacia de Crimes Cibernéticos (DERCC) e Grupo de Resposta Tática (GRT). A PC apreendeu celulares, notebooks e pen-drives para perícia, que analisará conversas e documentos que comprovem a manipulação de preços.

Caso confirmadas as irregularidades, os investigados poderão enfrentar Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e demissão do serviço público. Por fim, a Prefeitura de Boa Vista afirmou, via Procuradoria-Geral, que não foi formalmente notificada e se manifestará após análise do caso.