Em 2022, o Brasil registrou o menor número de mortes maternas desde 2020, com 1.397 óbitos. Esse índice representa uma queda significativa em comparação ao pico de 3.058 mortes em 2021, durante a pandemia de Covid-19.
Em estados como Santa Catarina, Distrito Federal e Rio Grande do Sul, as menores taxas foram registradas, variando entre 33,6 e 39,7 mortes por 100 mil nascidos vivos. Por outro lado, Roraima, Sergipe e Tocantins apresentaram os índices mais altos, com Roraima liderando com 145,2 mortes.
Os dados são do Observatório da Saúde da Umane, baseados no Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do DataSUS.
A taxa nacional de mortalidade materna, que contabiliza óbitos ocorridos durante a gestação ou até 42 dias após o parto, foi de 54,5 a cada 100 mil nascidos vivos em 2022. Em 2021, esse número chegou a 117,4. Apesar da redução, ainda existem disparidades regionais e raciais preocupantes.
Além disso, a mortalidade materna afeta de forma desigual mulheres negras e pardas, que representam 67,1% dos óbitos, enquanto mulheres brancas somam 29,5%.
Segundo Paulo Lotufo, professor de epidemiologia da USP, essa desigualdade está diretamente ligada à condição econômica e ao acesso inadequado ao pré-natal, especialmente em áreas periféricas.
Gravidez infantil em Roraima
Lotufo também destaca a alta taxa de gravidez infantil em estados do Norte, como Roraima, onde muitas meninas de 10 a 14 anos engravidam, muitas vezes como resultado de violência sexual.
Ele alerta que essas jovens dificilmente têm acesso ao pré-natal adequado, agravando o risco de complicações durante a gestação.
Para Evelyn Santos, gerente de parcerias da Umane, embora a taxa nacional tenha caído, ainda há muito a ser feito para atingir patamares semelhantes aos de países de alta renda, onde a mortalidade materna já diminuiu de forma consistente ao longo dos anos.
Santos ressalta que entre 75% e 90% das mortes maternas poderiam ser evitadas, se houvesse um melhor acompanhamento durante a gestação.
Ela aponta que doenças infecciosas, hemorragias e condições como pré-eclâmpsia são algumas das principais causas de morte, muitas vezes relacionadas à falta de assistência pré-natal adequada.
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