O advogado Thiago Marcos Barbosa de Carvalho, sobrinho do governador de Tocantins, Wanderlei Barbosa, foi preso na manhã desta terça-feira (18) durante a operação “Sisamnes”.
Realizada pela Polícia Federal, a operação apura crimes de obstrução de Justiça, corrupção ativa e passiva, além de violação do sigilo funcional. Junto com ele, o procurador de Justiça Ricardo Vicente da Silva também está sob investigação.
A operação ‘Sisamnes’
Além de prender o sobrinho do governador do Tocantins, por meio da operação “Sisamnes”, a Polícia Federal identificou uma rede clandestina de monitoramento. Também houve identificação de venda de informações sigilosas relacionadas a investigações do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A operação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, apura a atuação de advogados, lobistas, magistrados, assessores e outros envolvidos no esquema.
A PF cumpriu mandados de prisão preventiva e busca e apreensão. Além disso, a operação “Sisamnes” também realizou medidas cautelares. Entre elas o afastamento de funções públicas, a proibição de contato entre os envolvidos e a retenção de passaportes.
O Ministério Público Estadual (MPTO) não fará comentários sobre o caso. A entidade se manifestou dizendo que ainda não teve acesso aos autos da investigação, por isso a decisão de não se manifestar.
Investigações iniciadas em 2023
A operação “Sisamnes” tem raízes em investigações iniciadas em 2023. Na ocasião, a polícia encontrou mensagens de texto no celular de um advogado assassinado em Mato Grosso.
As mensagens em questão sugeriam a compra de sentenças, o que levou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a acionar a Polícia Federal. A primeira fase da operação foi realizada em outubro de 2024. À época, focou em investigações sobre a solicitação de valores para beneficiar partes em processos judiciais e no vazamento de informações confidenciais.
A segunda fase, em dezembro do ano passado, revelou operações imobiliárias suspeitas, que indicavam a tentativa de ocultar a origem ilícita de dinheiro. Durante essa etapa, foram bloqueados bens e valores dos envolvidos, incluindo imóveis adquiridos por um magistrado.