DIREITOS HUMANOS

MPTO atua por inclusão: fim da exigência de corte militar para cabelos crespos de brigadistas

Ministério Público do Tocantins recomenda fim da exigência de corte militar para cabelos crespos em programa de brigadistas voluntários, após denúncia de discriminação religiosa e étnico-racial.
Redação Portal Norte
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Para promover ambientes mais inclusivos, o Ministério Público do Tocantins (MPTO), por meio da 15ª Promotoria de Justiça da Capital, recomendou à Defesa Civil e ao Corpo de Bombeiros Militar do Tocantins (CBMTO) que revisem uma norma interna.

Essa regra atualmente exige um “corte de cabelo no padrão militar” para o ingresso no programa de brigadistas voluntários.

As orientações do MPTO são pautadas na valorização dos direitos humanos e na necessidade de respeitar a diversidade, com foco especial nas questões religiosas e étnico-raciais.

Os principais pontos da recomendação estão:

  • Revisar e adaptar as normas internas relacionadas à aparência pessoal
  • Estimular o diálogo com organizações da sociedade civil sobre igualdade racial e liberdade religiosa
  • Realizar capacitações em diversidade e direitos humanos
  • Divulgar um código de conduta com diretrizes de respeito à diversidade
  • Estruturar canais acessíveis para denúncias de discriminação
  • Adotar medidas de proteção para denunciantes e voluntários

As instituições têm um prazo de dez dias para informar as providências adotadas e apresentar um cronograma de implementação das medidas.

Investigação da legalidade da norma

A recomendação do Ministério Público do Tocantins faz parte de um procedimento administrativo que o MPTO abriu para investigar a legalidade da norma. Isso aconteceu depois de uma denúncia envolvendo um candidato aprovado no programa de brigadistas.

O denunciante, que é membro de uma comunidade quilombola e segue a religião rastafári, alegou ter sido instruído a cortar o cabelo para cumprir a Portaria 002/2021/COB. Essa seria uma condição para ele continuar no grupo.

De acordo com o promotor de Justiça Paulo Alexandre Rodrigues de Siqueira, essa exigência pode ir contra direitos assegurados pela Constituição Federal e por tratados internacionais.

Entre esses direitos estão a liberdade religiosa, a identidade cultural e o princípio da igualdade, especialmente quando a regra afeta grupos que são historicamente vulneráveis.

MPTO também pediu esclarecimentos sobre a temática

Como parte das investigações, o MPTO também pediu esclarecimentos ao CBMTO sobre a base da norma e acionou a Delegacia Especializada de Atendimento às Populações Vulneráveis para apurar uma possível conduta discriminatória.