A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos Golpistas de 8 de Janeiro deve abrir um novo flanco de investigação que mira ainda mais o círculo imediato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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A relatora Eliziane Gama (PSD-MA) pedirá quebras de sigilo do general Mauro Lourana Cid, do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e do ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.

Veja quais informações a relatora quer obter de cada suspeito:

  1. General Mauro Lourena Cid – sigilo bancário e relatório de inteligência financeira do Coaf;
  2. Presidente do PL, Valdemar Costa Neto – sigilo telefônico;
  3. Deputada Carla Zambelli – relatório de inteligência financeira do Coaf e sigilo telefônico;
  4. Ex-ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira – sigilo telefônico.

Eliziane se reúne na manhã desta terça-feira (22) com integrantes do colegiado para costurar os acordos que podem viabilizar a aprovação desses requerimentos.

Parte desses pedidos está amparada em depoimentos recentes prestados à CPMI, como o do hacker Walter Delgatti Netto, que acusou Bolsonaro de oferecer um indulto a ele em troca de invadir o sistema das urnas eletrônicas.

Segundo a declaração de Delgatti, os participantes da trama golpista eram justamente Zambelli, Valdemar e Nogueira, além do ex-presidente.

A quebra do sigilo bancário do general Cid, que é pai do ex-ajudante de ordens da residência, Mauro Cid, é investigado por esquema de desvios de presentes do acervo pessoal da presidência.

As quebras de sigilo são tidas como peças fundamentais para basear as próximas convocações da CPMI.

Os eventos recentes envolvendo Bolsonaro fizeram com que os integrantes do colegiado passassem a discutir de forma mais ativa a viabilidade de sua convocação.

Para isso, no entanto, há a compreensão de que é preciso fechar o cerco contra aliados do ex-presidente e obter mais informações financeiras para confrontá-lo com dados.

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‘Gabinete do ódio’

O deputado pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) negocia com Eliziane a possibilidade de obter a quebra dos sigilos telefônico e telemático de pessoas do chamado “gabinete do ódio”.

Esse foi o nome dado ao grupo de indivíduos que teria operado dentro do Palácio do Planalto durante o governo Bolsonaro.

Investigações apontam que os integrantes do “gabinete do ódio” usavam a estrutura do Poder Executivo para disseminar desinformação em massas nas redes sociais.

Vieira quer convocar três pessoas ligadas ao grupo: Mateus Matos Diniz, José Matheus Salles Gomes e Tércio Arnold Tomaz.

Os três trabalharam como assessores do governo Bolsonaro.