MOBILIDADE URBANA

‘Transporte público é da Prefeitura, não do Governo’, diz Wilson Lima após paralisação de ônibus em Manaus

Governador e prefeito trocam acusações sobre responsabilidade pelo custeio do transporte público após paralisação de ônibus afetar centenas de milhares de passageiros em Manaus.
Redação Portal Norte
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O governador do Amazonas, Wilson Lima, se pronunciou nesta quinta-feira (11) sobre a paralisação de ônibus em Manaus, que afetou milhares de passageiros.

Ele afirmou que o custeio do sistema é de responsabilidade da Prefeitura, e não do Governo do Estado, limitando-se ao pagamento da meia-passagem estudantil.

Durante o pronunciamento, Wilson destacou que o Estado paga regularmente R$ 2,50 por cada meia-passagem dos alunos da rede estadual.

Segundo ele, R$ 19 milhões já foram depositados em juízo para garantir a gratuidade aos estudantes, mas o recurso não pode ser acessado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) devido a pendências de certidões.

“O transporte público é responsabilidade da Prefeitura, não do Estado. O que temos é um compromisso com os alunos, e esse compromisso está sendo cumprido. Qualquer valor além dos R$ 2,50 da meia-passagem não existe”, declarou o governador.

Prefeitura diz que repasses estão em dia

Mais cedo, o prefeito de Manaus, David Almeida, havia se posicionado sobre o caso e afirmou que a Prefeitura está isenta de culpa.

Ele explicou que os repasses ao sistema estão sendo feitos regularmente nos dias 5 e 20 de cada mês.

“Não estamos devendo nada. Em quatro anos, a Prefeitura repassou R$ 1,6 bilhão ao Sinetram, e apenas em 2025 já foram R$ 296 milhões”, disse Almeida.

Para ele, os atrasos salariais dos rodoviários decorrem da falta de renovação do convênio do passe livre estudantil pelo Estado.

Greve atinge passageiros em Manaus

A paralisação de advertência dos rodoviários deixou passageiros sem ônibus por mais de uma hora, gerando lentidão em vias movimentadas, como a Avenida Brasil, na zona Oeste.

Durante a manhã, um coletivo foi interrompido em plena viagem, o que provocou protestos e aumento do congestionamento.

Segundo o sindicato da categoria, cerca de 600 mil pessoas dependem diariamente dos ônibus na capital, o que amplia os impactos da mobilização.

Impasse entre Sinetram e Estado

O Sinetram alegou que os valores destinados ao custeio da meia-passagem foram depositados judicialmente e, depois, devolvidos ao Estado, mas seguem aguardando liberação.

A entidade reforçou que, assim que os recursos forem repassados, os salários dos rodoviários serão quitados integralmente.

Wilson Lima, por sua vez, ressaltou que o Estado não tem responsabilidade sobre obrigações trabalhistas das empresas de transporte, já que sua relação é apenas com os estudantes.

O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano e Rodoviário de Manaus e Região Metropolitana anunciou ainda na noite desta quinta-feira (11) que a paralisação dos ônibus na capital amazonense foi interrompida parcialmente.

A decisão foi tomada para atender a população durante o horário de pico, quando milhares de passageiros retornam para casa.

Segundo a entidade, se até 9h de sexta-feira (12) os salários atrasados não forem pagos, a greve será retomada de forma integral em frente à sede do Governo do Estado.