AMAZÔNIA

Onça-pintada resgatada no Rio Negro deve voltar à natureza em até 30 dias; animal será monitorado

Felino baleado no Rio Negro se recupera em Manaus e será reintroduzido à natureza com monitoramento por satélite durante dois anos.
Redação Portal Norte
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A onça-pintada resgatada no Rio Negro após ser baleada e nadar por mais de oito horas segue em recuperação e deve ser reintroduzida ao habitat natural em até 30 dias.

O felino, um macho jovem de cerca de 3 a 4 anos e 54 quilos, está sob os cuidados da equipe veterinária do Zoológico do Tropical Hotel, em Manaus, onde recebe tratamento especializado.

Para evitar qualquer tipo de apego humano, a onça não receberá nome para garantir a reintegração plena do animal ao ambiente selvagem.

Após a soltura, prevista para ocorrer na margem direita do Rio Negro, o felino será monitorado por um colar eletrônico via satélite durante dois anos.

Ambiente foi adaptado para readaptação do felino

O zoológico adaptou toda a área destinada ao tratamento da onça para favorecer seu comportamento natural. O espaço foi isolado para evitar ruídos, e o uso de perfumes ou fragrâncias por parte dos tratadores foi proibido.

Além disso, banhos de folhas foram aplicados no recinto para mascarar o cheiro humano. A alimentação é realizada de maneira discreta, sem interação direta entre tratadores e o animal.

Segundo a equipe, o felino já se alimenta sozinho e demonstra reflexos típicos de um exemplar em processo de reabilitação para a vida selvagem.

A expectativa é que, após o período de observação, o animal volte ao seu habitat em boas condições de sobrevivência, contribuindo para a preservação da espécie, considerada vulnerável na Amazônia.

Relembre o caso

A onça-pintada foi resgatada no início de outubro nas proximidades da Ponta Negra, em Manaus, após ser alvejada com mais de 30 projéteis.

O felino foi encontrado exausto, com ferimentos graves, dentes quebrados e sangramento intenso, tentando atravessar o Rio Negro.

Agentes do Batalhão de Polícia Ambiental (BPAmb) foram acionados por um ribeirinho e improvisaram um dispositivo de flutuação para manter o animal na superfície até o resgate. O caso mobilizou equipes veterinárias, biólogos e órgãos ambientais do Amazonas.

Desde então, o felino vem apresentando melhora significativa, com redução de edemas e resposta positiva aos cuidados clínicos.

A reintrodução do animal à natureza simboliza não apenas sua recuperação, mas também o compromisso das equipes com a preservação da fauna amazônica.