JUSTIÇA

CCJ aprova aumento do tempo de internação de adolescentes autores de crimes graves

Senado aprova aumento do tempo máximo de internação de adolescentes infratores de três para dez anos em crimes graves.
Redação Portal Norte
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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou na última quarta-feira (8) o substitutivo ao Projeto de Lei (PL) 1.473/2025, que endurece as regras de internação para adolescentes autores de atos infracionais. 

A proposta foi aprovada por 20 votos a 1 e ainda passará por votação em turno suplementar na comissão antes de seguir para análise da Câmara dos Deputados.

O projeto prevê aumento do tempo máximo de internação de três para cinco anos, podendo chegar a dez anos em casos de crimes cometidos com violência, grave ameaça ou equivalentes a crimes hediondos. 

O texto, de autoria do senador Fabiano Contarato (PT-ES) e relatado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), altera dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e do Código Penal.

Entre as mudanças, o substitutivo revoga o limite de idade de 21 anos para a liberação compulsória, permitindo que o juiz mantenha a medida até o prazo máximo previsto. 

Além disso, elimina a atenuante de menoridade relativa no Código Penal e eleva de 70 para 75 anos a idade mínima para redução de pena e prazos prescricionais.

Internação provisória e audiência de custódia

O texto aprovado inclui a realização obrigatória de audiência de custódia para adolescentes apreendidos em flagrante, em até 24 horas, com presença do Ministério Público e da defesa. 

Também modifica o regime de internação provisória, que deixa de ter limite fixo de 45 dias e passa a depender de decisão fundamentada do juiz.

No parecer, Flávio Bolsonaro afirmou que o projeto busca “corrigir fragilidades históricas do ECA” e oferecer uma resposta proporcional à gravidade dos atos cometidos, preservando os direitos do adolescente sem comprometer a segurança pública.

Debates sobre o projeto

O autor do projeto, Fabiano Contarato, reforçou que a proposta não altera a maioridade penal, mas ajusta o tempo de internação para casos graves.

“Quando era delegado, participei de um caso de homicídio qualificado cometido por um adolescente de 17 anos. A pena seria de 12 a 30 anos, mas a juíza só pôde aplicar um ano de internação. Isso não é razoável. Estamos ampliando o que já está previsto, sem mexer na maioridade penal”, explicou.

O senador Marcos Rogério (PL-RO) destacou que o projeto oferece alternativa à antiga proposta de redução da maioridade penal.

“Hoje estamos alcançando o mesmo objetivo por outro caminho, corrigindo a sensação de impunidade sem violar a Constituição” afirmou.

Rogério Carvalho (PT-SE) ressaltou que a proposta responde à demanda social por punição proporcional, sem ferir princípios constitucionais.

“O relatório respeita a diferença constitucional de tratamento entre adolescentes e adultos, mas precisamos de recursos suficientes para custódia e ressocialização. Sem estrutura, o sistema continuará ineficaz” destacou.

Investimentos no sistema socioeducativo

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) alertou para a necessidade de investimentos no sistema socioeducativo, atualmente precário, que precisará se adaptar caso o projeto seja aprovado.

Ele enfatizou que, com o aumento do tempo de internação, será necessário garantir estruturas adequadas para os adolescentes que atingirem a maioridade, sem serem realocados em presídios comuns.

“O relatório respeita a diferença constitucional de tratamento entre adolescentes e adultos, mas precisamos de recursos suficientes para custódia e ressocialização. Sem estrutura, o sistema continuará ineficaz” destacou.