POLÍTICA

Arthur Lira adia entrega de relatório do IR em meio à tensão com o governo

Relator do projeto de ampliação da isenção do IR recua após derrota do governo na votação do IOF, sinalizando clima desfavorável no Congresso.
Redação Portal Norte
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL) adiou a entrega do relatório sobre o projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). Ele é o relator da proposta que é, aliás, uma das principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na comissão especial criada para analisar o texto.

O plano de trabalho elaborado por Lira previa a entrega do parecer até esta sexta (27/6), o que não aconteceu. O deputado é um negociador político experiente. Dessa forma, decidiu não entregar o relatório depois que notou que o clima no Congresso Nacional não está favorável ao Palácio do Planalto.

Câmara dos Deputados e Senado Federal se uniram para derrubar, na quarta-feira (25/6), o decreto que previa alterações no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Assim, a decisão pegou o governo de surpresa. Afinal, um acordo garantia que os parlamentares só apreciariam o projeto depois do recesso legislativo de julho.

Além disso, a comissão especial que analisa o projeto ainda tem três semanas até o recesso para votar a proposta sem adiar o cronograma.

Entenda a proposta

O texto, enviado pelo governo federal ao Congresso em março, amplia a faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil por mês. A medida pode beneficiar cerca de 10 milhões de brasileiros. Já quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil mensais também contará com descontos que vão de 7,5% até 75%.

O governo federal abrirá mão de arrecadar R$ 25,84 bilhões no próximo ano com a ampliação. Para compensar, a equipe econômica propôs tributar as altas rendas e os dividendos no exterior.

A proposta prevê um imposto mínimo de 10% para aqueles que recebem a partir de R$ 50 mil por mês (R$ 600 mil ao ano). A tributação mínima, que será progressiva, deve impactar 141,4 mil pessoas (ou 0,13% dos contribuintes do país).

Serão excluídos do cálculo do imposto devido os seguintes rendimentos: ganhos com poupança, títulos, indenizações, aposentadorias, pensão por moléstias graves e outros rendimentos mobiliários isentos.

De acordo com o Ministério da Fazenda, a tributação mínima da população “super-rica” trará R$ 25,22 bilhões aos cofres públicos, além de R$ 8,9 bilhões adicionais da taxação e 10% na remessa de dividendos para o exterior apenas para aqueles que moram fora do país.