JUSTIÇA

Gilmar Mendes rejeita habeas corpus e mantém Bolsonaro preso na Papudinha

Ministro do STF rejeita pedido de prisão domiciliar por vícios processuais. Bolsonaro segue preso em Brasília cumprindo sentença de 27 anos por tentativa de golpe.
Redação Portal Norte
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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu não conhecer o habeas corpus que solicitava a conversão da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para prisão domiciliar. A decisão foi proferida nesta sexta-feira (16).

Bolsonaro está preso na chamada Papudinha, uma sala de Estado-Maior localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses por envolvimento na tentativa de ruptura institucional.

Habeas corpus foi considerado inadmissível

Na avaliação de Gilmar Mendes, o pedido não atende aos requisitos legais. Um dos principais pontos destacados foi o fato de o habeas corpus não ter sido apresentado pela defesa técnica oficial do ex-presidente.

Além disso, o ministro ressaltou que não cabe habeas corpus contra decisões de ministros ou de órgãos colegiados da própria Corte, conforme previsão do Regimento Interno do STF.

A ação foi protocolada por Paulo Emendabili Souza Barros de Carvalhosa, que não integra a equipe jurídica responsável pela defesa de Bolsonaro. Por esse motivo, o magistrado entendeu que a via escolhida era inadequada para análise do mérito.

Encaminhamento do caso e atuação de Moraes

O pedido havia sido inicialmente encaminhado à ministra Cármen Lúcia, seguindo critérios de prevenção previstos nas normas internas do Supremo. Posteriormente, o ministro Alexandre de Moraes, atual vice-presidente da Corte, determinou a remessa dos autos para análise de Gilmar Mendes.

O que pedia o habeas corpus

No requerimento, o autor solicitava duas medidas principais:

  • Avaliação do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre a estrutura de saúde da unidade prisional;
  • Autorização para que Bolsonaro cumprisse a pena em regime domiciliar, alegando necessidade de acompanhamento médico contínuo.

Bolsonaro está custodiado na Papudinha

O ex-presidente deixou a sede da Polícia Federal na quinta-feira (15) e passou a cumprir pena na Sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar, anexa à Papuda. A transferência foi determinada por Alexandre de Moraes.

O local é destinado a autoridades e pessoas com direito legal a esse tipo de custódia.

Regras impostas para a custódia

O STF autorizou uma série de condições específicas para a permanência de Bolsonaro no local, entre elas:

  • Atendimento médico integral, inclusive com profissionais particulares cadastrados;
  • Transferência imediata para hospitais em casos de emergência;
  • Sessões de fisioterapia;
  • Alimentação especial entregue por pessoa indicada pela defesa;
  • Visitas semanais de familiares;
  • Assistência religiosa;
  • Permissão para leitura e equipamentos de apoio físico.

O pedido para uso de Smart TV, no entanto, foi negado.

Estrutura da Papudinha

A Papudinha possui capacidade para até 60 custodiados e passou por reformas recentes. O espaço conta com alojamentos coletivos, banheiros, cozinha, lavanderia, área de convivência e consultórios médicos.

A fiscalização do cumprimento da pena é feita pela Vara de Execuções Penais do Distrito Federal.