SEGURANÇA PÚBLICA

Câmara dos Deputados aprova fim da ‘saidinha’ de presos

Aprovada pelo Plenário nesta quarta, medida mantém exceção para detentos de baixa periculosidade em cursos profissionalizantes, mas gera debate sobre impactos no sistema carcerário.
Redação Portal Norte
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A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (20) o projeto de lei que acaba com a “saidinha” – a saída temporária de presos. O governo não se posicionou sobre a matéria, liberando a bancada para que votasse como quisesse.

Alteração do projeto feita pelo Senado, em fevereiro, manteve uma exceção para a saída temporária, no caso dos detentos de baixa periculosidade que forem realizar cursos estudantis ou profissionalizantes. A alteração foi mantida pela Câmara na votação desta quarta-feira.

O deputado Roberto Monteiro (PL-RJ), pai do ex-vereador Gabriel Monteiro, preso por estupro, classificou a medida como uma “covardia” com os dententos que cumprem os critérios de comportamento e os prazos de retorno aos presídios. 

“Por causa desses malfeitores que, por uma saidinha, fazem atrocidades, barbaridades e que a mídia apresenta com muita clareza, um coletivo de 95% não pode pagar por 5% daqueles malfeitores. Então, eu torço para que essa Casa não concorde com essa situação. Porque tem que ser pesado o crivo daqueles malfeitores que saem, não voltam e fazem atrocidades. Aqueles 95% que retornam ao sistema carcerário não podem pagar o preço”, argumentou Monteiro.

A última saída temporária concedida, no Natal de 2023, beneficiou pouco mais de 52 mil presos. Desses, 95% (49 mil) voltaram às cadeias dentro do período estipulado. Os outros 5% (pouco mais de 2,6 mil), não. 

Por ocasião da aprovação do projeto pelo Senado, 66 entidades divulgaram uma nota afirmando que a proibição da “saidinha” “trará enorme impacto financeiro para a União e para os estados” e vai “agravar ainda mais” índices de violência.

“A extinção da saída temporária iguala o regime semiaberto ao regime fechado, ferindo o princípio da individualização das penas e colocando fim ao retorno gradual da pessoa presa ao convívio social e familiar, o que certamente trará impactos sociais negativos”, diz a nota.